The Beginning After the End: por que o anime decepcionou os fãs do webcomic?
The Beginning After the End conquistou leitores com a jornada de Arthur Leywin, um antigo rei renascido em um mundo de magia. Neste post, comparamos o webcomic com o anime e analisamos os elementos que fizeram a obra original se destacar: desenvolvimento emocional, relações familiares, fantasia e cenas de ação.
A adaptação para anime trouxe vozes, trilha sonora e movimento, mas recebeu críticas de parte dos fãs por sua animação, ritmo e impacto visual. Entenda por que alguns leitores sentiram que a série não transmitiu a mesma atmosfera e emoção do webcomic, sem confundir críticas à recepção com prova de fracasso comercial.
Também discutimos o que poderia melhorar em um possível remake de The Beginning After the End, desde o planejamento da produção até a direção das cenas e o desenvolvimento dos personagens. Como hipótese para os fãs, o post sugere o Studio Bones e o diretor Yuzuru Tachikawa, sem afirmar qualquer vínculo oficial.
No final, vote na enquete sobre um remake, escolha qual estúdio deveria adaptar a obra e conte nos comentários sua opinião sobre o anime. O próximo artigo será uma review da 3ª temporada de One-Punch Man.


Uma história sobre recomeçar — e fazer diferente
The Beginning After the End acompanha Arthur Leywin, um homem que já viveu como Grey, um rei poderoso, solitário e marcado pelas escolhas da vida anterior. Depois de morrer, ele renasce em um mundo de magia e criaturas fantásticas. Agora, com outra família e uma nova chance, Arthur pode construir uma vida diferente — mas não consegue simplesmente apagar quem foi.
Essa premissa mistura fantasia, aventura, treinamento e reencarnação, mas o que fez tantos leitores se envolverem com a obra não foi só acompanhar Arthur ficando mais forte. O coração da história está no contraste entre o rei experiente que ele era e a criança que precisa aprender a viver de novo. A relação com os pais, as novas amizades e as consequências de suas decisões ajudam a dar peso à jornada.
Antes de comparar versões, vale esclarecer uma coisa: muita gente chama a obra de “mangá”, mas o termo mais preciso para a versão ilustrada é webcomic — ou webtoon. Ela adapta a web novel criada por TurtleMe. A série ganhou leitores com a combinação de aventura, desenvolvimento de personagem e arte que apresenta tanto momentos acolhedores quanto confrontos de maior escala. A trajetória da franquia é descrita pela Tapas e pelo próprio autor em entrevistas.
O que o webcomic faz bem?
O webcomic tem uma vantagem natural: pode deixar o leitor permanecer em uma cena pelo tempo que ela precisa. Um olhar, uma reação dos pais de Arthur ou uma conversa aparentemente simples podem preparar a emoção para algo que virá depois. A leitura também permite voltar a um quadro, observar um detalhe da composição e seguir no próprio ritmo.
Visualmente, esse formato ajuda a destacar os estados de espírito de Arthur. A obra pode alternar entre humor, ternura, descoberta e ameaça sem precisar explicar cada mudança em voz alta. Os cenários e os designs de personagens dão forma ao mundo, enquanto as cenas de ação usam enquadramento e sequência de imagens para criar expectativa e impacto.
Isso não quer dizer que cada capítulo do webcomic seja perfeito ou que toda luta seja automaticamente superior à animação. Quer dizer que a adaptação precisa encontrar maneiras próprias de preservar o que importa: a evolução emocional, a sensação de descoberta e o peso das relações. Copiar os acontecimentos, por si só, não garante que a história provoque a mesma reação.
O anime: uma nova forma de contar a mesma história
A adaptação para anime, produzida pelo Studio A-Cat e dirigida por Keitaro Motonaga, levou Arthur para outro meio. A primeira temporada estreou em 2025, e a segunda chegou em 2026. O formato animado oferece ferramentas que o webcomic não tem: movimento, vozes, trilha sonora, efeitos sonoros, montagem e interpretação vocal. Em uma adaptação bem equilibrada, esses recursos podem ampliar cenas e tornar certos momentos ainda mais emocionantes.
O autor TurtleMe falou sobre trabalhar com a equipe para ajudar a preservar temas importantes, incluindo o crescimento e a jornada emocional de Arthur. Também reconheceu que a adaptação precisava funcionar em um meio diferente e para um público diferente. Isso é parte normal do processo: um anime não precisa reproduzir cada quadro do webcomic, mas precisa fazer o espectador entender por que aqueles acontecimentos importam. Entrevista com TurtleMe sobre a adaptação e os temas da obra.


Onde as duas versões se distanciam?
A principal crítica que ganhou força entre os fãs foi visual. Em várias cenas, parte do público sentiu falta de movimento mais fluido, enquadramentos mais dinâmicos e maior variedade na encenação. Isso pesa especialmente nas lutas, porque a obra apresenta um protagonista que treina, aprende e enfrenta desafios cada vez maiores. Quando a ação parece rígida ou pouco expressiva, a cena pode perder a energia que o leitor imaginava ao acompanhar o webcomic.
Mas reduzir toda a discussão à animação seria simplificar demais. O ritmo também importa. O webcomic tem espaço para construir transições e deixar momentos respirarem; a série precisa distribuir acontecimentos entre episódios, escolher o que encurtar e o que destacar. Se essa seleção não preserva as pausas emocionais, o espectador pode sentir que viu os fatos, mas não acompanhou a transformação de Arthur.
Há ainda a diferença entre imaginar e assistir. Durante a leitura, cada pessoa cria mentalmente uma voz, uma cadência e uma intensidade para as cenas. O anime transforma essas possibilidades em escolhas concretas: uma atuação vocal, uma duração específica, uma trilha e um desenho de movimento. Quando essas escolhas não correspondem à expectativa do público, a distância entre as versões parece ainda maior.
A comparação fica especialmente difícil quando o webcomic já oferece uma identidade visual forte. O anime precisa não apenas adaptar a história, mas também encontrar uma linguagem própria para competir com imagens que os leitores já guardam na memória. Para muitos fãs, foi aí que a adaptação não alcançou o mesmo impacto.
O que deu errado — e por que a repercussão foi tão forte?
A recepção negativa entre parte dos fãs veio da combinação de expectativas altas com uma execução que, para eles, não transmitiu a escala e a emoção que esperavam. Antes da estreia, muitos leitores imaginavam como seriam os momentos mais marcantes da obra com movimento, voz e música. Quando a animação e o ritmo não corresponderam a essa expectativa, a conversa passou rapidamente de “essa cena ficou diferente” para “a adaptação não entendeu o que torna a obra especial”.
Também é importante separar reação crítica de fracasso comercial. Houve críticas públicas e uma petição pedindo uma nova adaptação durante a exibição da primeira temporada. Isso mostra insatisfação vocal entre fãs, mas não prova, por si só, que o anime fracassou comercialmente. A Crunchyroll anunciou uma segunda temporada em 2025, então a franquia continuou recebendo investimento e espaço de exibição. Anúncio da segunda temporada. A repercussão e as críticas à adaptação foram noticiadas durante a temporada.
Então, talvez a pergunta mais justa não seja “por que o anime foi um fracasso?”, mas por que ele não alcançou a mesma admiração que o webcomic entre tantos leitores? Uma resposta possível: a adaptação preservou a premissa e os acontecimentos centrais, mas não convenceu parte do público de que também preservou a intensidade emocional, a atmosfera e a força visual da obra.
O que poderia ter sido melhor?
Primeiro, a produção precisava de mais tempo e planejamento para estabelecer uma identidade visual consistente. Uma agenda mais folgada poderia ajudar a preparar melhor as cenas de ação, revisar a composição dos quadros e dar unidade ao movimento dos personagens. Isso não é uma garantia automática de qualidade, mas costuma permitir que as escolhas artísticas amadureçam.
Segundo, a direção poderia priorizar com mais clareza os vínculos de Arthur com a família e as consequências emocionais de suas decisões. A ação funciona melhor quando o espectador entende o que está em jogo. Antes de perguntar “quem é mais forte?”, a série precisa fazer a gente se importar com quem pode se machucar e com o que Arthur está tentando proteger.
Terceiro, uma equipe de roteiro com tempo para adaptar — em vez de apenas condensar — poderia decidir quais cenas precisam de espaço, quais podem ser combinadas e quais detalhes são essenciais para o desenvolvimento futuro. Cortes e mudanças não são problemas automaticamente. O problema aparece quando a narrativa perde contexto ou quando um acontecimento importante deixa de ter o impacto que deveria.
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Se houvesse um remake, quem poderia assumir?
Aqui entramos em terreno de especulação dos fãs, não em notícia ou confirmação oficial. Um remake poderia ser uma oportunidade para repensar o ritmo, o desenho de ação e o foco emocional da primeira temporada. Mas trocar apenas o nome do estúdio não resolveria tudo: seria necessário um cronograma adequado, uma equipe estável, um orçamento compatível com a ambição visual e uma direção que entenda a progressão dos personagens.
Como sugestão hipotética, Bones poderia ser um estúdio interessante para uma nova versão, pela experiência com ação expressiva e histórias centradas em personagens. Para a direção, Yuzuru Tachikawa, conhecido por trabalhos como Mob Psycho 100, seria uma escolha que muitos fãs poderiam imaginar: ele já demonstrou habilidade para combinar movimento inventivo, humor e emoção. Isso é apenas uma proposta editorial — não há confirmação de que esse estúdio ou diretor estejam ligados a um remake.
Outra possibilidade seria buscar uma equipe que equilibrasse fantasia e drama familiar, sem transformar todo episódio em uma sequência de batalhas. The Beginning After the End precisa de ação, claro, mas também precisa de silêncio, intimidade e crescimento. O remake ideal não seria apenas “mais bonito”; faria cada fase da vida de Arthur parecer uma parte necessária da mesma jornada.
Outras adaptações que dividiram os fãs
The Promised Neverland é um exemplo frequentemente citado. A segunda temporada foi criticada por acelerar a história e deixar de fora arcos importantes do mangá. Para muitos leitores, esses cortes enfraqueceram a construção do mundo e o impacto das escolhas dos personagens. Uma análise das mudanças entre o anime e o mangá.
Tokyo Ghoul também entra nessa conversa, especialmente por mudanças narrativas que afastaram o anime do material original e por uma sequência de temporadas que deixou parte do público insatisfeita. Já Berserk (2016) costuma ser lembrado pelas críticas à apresentação visual e ao uso de computação gráfica. São casos diferentes entre si: uns foram criticados por cortes e mudanças no roteiro; outros, pela execução técnica. Compará-los com TBATE não significa dizer que todos falharam pelo mesmo motivo — serve para lembrar que adaptar uma obra popular exige decisões cuidadosas em várias áreas. Exemplos de adaptações criticadas incluem essas séries, embora por motivos distintos.


Enquete: você assistiria a um remake?
Se The Beginning After the End ganhasse um remake com mais tempo de produção e uma nova equipe criativa, você daria uma segunda chance?
- Sim! Quero ver uma adaptação mais fiel ao espírito do webcomic.
- Talvez — depende do estúdio, do diretor e do cronograma.
- Não. Prefiro seguir com o webcomic e a adaptação atual.
E qual estúdio você escolheria para adaptar a obra?
- Bones
- Wit Studio
- A-1 Pictures
- Madhouse
- Outro: escreva nos comentários!
E você, o que achou?
O anime não conseguiu entregar para todos a mesma experiência que o webcomic. Mas cada leitor e espectador tem uma régua diferente: talvez para você a adaptação funcione, talvez a animação pese mais, ou talvez o maior problema esteja no ritmo e nas escolhas de roteiro.
Conta nos comentários: o que você achou deste post e qual é a sua opinião sobre o anime? Você gostaria de um remake? Tem outro anime que, na sua opinião, merecia uma nova adaptação? Vamos conversar sem transformar discordância em briga — cada fã percebe a obra de um jeito.
No próximo post: Review da 3ª temporada de One-Punch Man. Vamos falar sobre a nova fase de Saitama e companhia e descobrir se a temporada conseguiu fazer jus à expectativa dos fãs.
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